
Da Grã-Bretanha ao Japão, as economias mais ricas do mundo deram mais provas nesta SEMANA de que suas fortunas estão acabando velozmente e, em alguns casos, de forma furiosa. A confiança dos consumidores britânicos caiu neste mês para o menor nível desde os dias sombrios de 1974, de acordo com uma pesquisa, e a inflação nos 15 países da zona do euro atingiu o maior nível já registrado, segundo dados preliminares. No Japão, a atividade manufatureira recuou pelo 5º mês seguido, de acordo com outra pesquisa que se junta à crença cada vez maior de que o maior período de expansão desde a Segunda Guerra Mundial está tendo um final abrupto lá. "Tudo chafurdou em estagnação. Tudo está se equilibrando na beira da recessão", disse Holger Schmieding, economista em Londres para o Bank of America, sobre a tendência do mundo industrializado.
No nosso lado, a produção industrial continua crescendo e o ritmo de aumento do emprego e da utilização da capacidade instalada tem sido ainda mais intenso, mostra a Sondagem Industrial referente ao segundo trimestre deste ano, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o estudo, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) passou de 75%, no primeiro trimestre deste ano, para 77% no segundo trimestre. A CNI destaca que a utilização do parque fabril tem tido crescimento maior nas pequenas empresas. A sondagem mostra ainda que o indicador de produção subiu de 52,2 pontos, no primeiro trimestre, para 56,5 pontos, no segundo. O indicador do emprego subiu de 53,1 pontos para 53,6 pontos. A mesma sondagem revela, contudo, que os estoques da indústria voltaram a crescer e estão acima do planejado. Para a CNI, embora ainda tímido, o acúmulo de estoque pode significar queda no ritmo da produção, apesar do bom desempenho do segundo trimestre. "É o primeiro sinal de alerta porque significa que as expectativas de venda das empresas não se concretizaram, o que pode estar traduzindo um arrefecimento do processo de crescimento econômico", disse o chefe de pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.
Contrariando os pessimistas, uma reportagem publicada na capa da edição do diário International Herald Tribune afirma que o Brasil "transborda de esperança" em meio à crise econômica global. O texto atribui o clima esperançoso ao bom momento econômico que o País atravessa. "O Brasil, a maior economia da América do Sul, está finalmente pronto para concretizar seu potencial como importante ator no cenário global, dizem os economistas, já que atravessa sua maior expansão econômica em três décadas", afirma a reportagem. "O Brasil diversificou a base industrial, tem potencial para expandir o setor agrícola e possui uma enorme reserva de recursos naturais ainda não aproveitados. Novas descobertas de petróleo irão impulsionar o País para o ranking das grandes potências petroleiras globais na próxima década", cita a reportagem.
Na contramão do nervosismo nos mercados, William Landers, que gerencia cerca de US$ 8 bilhões em papéis latino-americanos pelo BlackRock, é um dos que consegue enxergar além dos números vermelhos que a renda variável internacional vem acumulando. Landers procura ações subvalorizadas e encontra muitas delas no Brasil. "O Brasil possui excelentes oportunidades de compra", recomendou em evento realizado em Nova York o analista, que se mostra particularmente otimista quanto aos setores de imóveis e bancos. De acordo com Landers, muitos dos papéis de incorporadoras imobiliárias foram excessivamente penalizados nos últimos pregões e, com isso, encontram-se em patamares muito atrativos. Principalmente quando o preço das ações é posto frente a frente às perspectivas que circundam o setor. Na visão de Landers, a expansão da classe média brasileira deve estimular o crescimento do setor imobiliário no País. Paralelamente, as declinantes taxas de desemprego traçam um cenário ainda mais favorável no segmento de baixa renda. Otimismo também faz parte da leitura de Landers ao setor financeiro brasileiro. A despeito dos temores de que o atual ciclo de aperto monetário pese sobre a expansão na concessão de crédito no País, o analista do BlackRock afirma que "os bancos provaram ao longo do tempo serem capazes de registrar lucros em praticamente qualquer cenário".
Diante do atual cenário só resta aos investidores terem sangue frio para acompanhar as oscilações da bolsa. Há boas possibilidade de as perdas serem ampliadas. Porém, as perspectivas permanecem positivas. No caso da bolsa brasileira, pelo fato de a economia do País dar sinais de que poderá manter um bom ritmo de expansão, mesmo com todas as adversidades da economia global e do atual processo de aperto monetário. Além disso, Vale e Petrobras são empresas com potencial muito favorável, que ocupam posições de liderança nas áreas que atuam, com excelentes previsões de planos de ampliação dos negócios e da presença internacional. Podem até ser prejudicadas pela eventual queda da demanda, mas não a ponto de terem os resultados efetivamente comprometidos. Se o investidor tiver um horizonte de mais longo prazo pode recuperar perdas e assegurar bons lucros, tranquilo...